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Por que a Dádiva foi eleita a melhor cerveja do Brasil (de novo)?

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Juliana Simon

28/02/2021 04h00

Quando se trata de cerveja artesanal, são muitos os nomes espalhados pelos copos, mas não tantos que tenham realmente se consolidado no gosto e coração dos cervejeiros de norte a sul do Brasil.

A tradução do sucesso surge menos em forma de medalhas (um dia ainda falaremos sobre concursos cervejeiros) e mais pelo burburinho e fidelidade dos consumidores. Uma das boas ferramentas para sentir quem tem feito barulho é o Rate Beer, site que há mais de 20 anos tem sido ranking e fórum para cervejeiros do mundo todo.

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Como todos os anos, rolou uma boa lista de melhores do ano e, pelo segundo ano consecutivo, a Dádiva foi escolhida como a melhor cervejaria do Brasil.

O que faz uma cervejaria tão popular?

Com sete anos de história recém-completos neste sábado (27), são vários os feitos da cervejaria de Várzea Paulista (SP) e muitos explicam por que ela é, hoje, uma referência no mercado. Vamos a nove deles.

Crédito: Divulgação

Ousadia

Com um time cervejeiro poderoso, a marca não para de criar e surpreender.

Foi ela uma das primeiras brazucas a investir forte no uso de madeira brasileira para envelhecimento de cervejas (viu uma Odonata 10 na sua frente? Pegue), apostou em cervejas com características de vinho (como linha Quatre e alguns Brewer's Cut) e foi longe com adjuntos inusitados, como a linha True, que trouxe quatro Russian Imperial Stouts com coco, cacau, baunilhas e cafés, e as Oatmeal Cream Double IPA da linha Hoppy Breakfast.

Crédito: Divulgação

Produção de clássicos

Ainda que produções originais façam o nome da marca, um clássico bem feito é tudo o que o cervejeiro precisa para detectar uma fábrica de qualidade — e cervejeiros que realmente entendem do riscado.

"Brincar com receitas e testar processos de produção é algo que todo cervejeiro quer (e deve) fazer. Mas produzir uma cerveja clássica de qualidade, destacando o melhor de cada estilo, também é desafiador. Não podemos esquecer da qualidade das tradicionais e de como é bom encontrar uma cerveja tradicional, gostosa, leve e direta", afirma Victor Marinho, sócio e mestre cervejeiro.

A linha Classic Styles da Dádiva já conta com Irish Red Ale, Berliner Weisse, English Pale Ale, Altbier e German Pils, e esta semana ganhou uma Dry Stout.

Cerveja para todo mundo – até para quem nem pode com cerveja

Em janeiro, este blog testou cervejas sem álcool e a produção da Dádiva foi uma das que se destacaram. Mas não é só para quem não quer e não pode com bebida que a cervejaria trabalha.

Em 2019, saiu a IPA Sem Glúten para alegria dos celíacos.

Linha democrática

Crédito: Divulgação

Um dos fatores que mais afastam novos públicos da cerveja artesanal é, sem dúvidas, o preço das produções. Mas não precisa ser sempre assim.

A Dádiva foi uma das cervejarias a propor boas receitas para um público mais amplo, a preços mais em conta, todas em latas de 310 ml e com estilos variados – Premium Lager, Hoppy Lager, Munich Dunkel, Session IPA, IPA, IPA Sem Glúten, Golden Ale Sem Álcool e Witbier.

Abrigo para ciganas

Viver de cerveja não é necessidade de fábrica própria. Para isso, cervejarias já estabelecidas abrigam ciganas. Com a Dádiva, essa parceria já funciona com 5 a 10 fabricantes dos estados de São Paulo e do Ceará, Bahia e Rio de Janeiro.

Nos ciganos que saem dos tanques, puro brilho: Japas Cervejaria, Mafiosa Cervejaria, MinduBier, Cervejaria Augustinus, Quatro Graus, 4 Islands, Cervejaria Cathedral, Carioca Brewing Co., Bold Brewing e Oca Cervejaria.

Crédito: Divulgação

Colaborações

A alma colaborativa da cervejaria também faz diferença, desde os primórdios. E não só com os colegas brasileiros.

São os casos da sour The Sour People, colaborativa com a cervejaria suíça Hoppy People, e da RIS Point of View, com a cervejaria dinamarquesa, Amager.

Garotas no poder (dentro e fora da fábrica)

Para quem ainda não entendeu, o meio cervejeiro é sim, muito, mas muito, mas MUITO clube do bolinha. Na batalha diária por igualdade de gênero no meio cervejeiro e fora dele, a Dádiva dá um show.

Luiza e uma das mascotes da Dádiva

A começar pela liderança de Luiza Lugli Tolosa, fundadora e sócia da Dádiva, passando pelo quadro de funcionários, com a mesma quantidade de mulheres e de homens, e elas exercendo funções tanto na parte de processos de produção, quanto nos cargos de gestão.

Além disso, a Dádiva já criou diversas campanhas de incentivo à liberdade e aos direitos da mulher.

Preocupação com o planeta

Alguns dos projetos sustentáveis adotados pela cervejaria nos últimos anos são a implementação de logística reversa de barris de pet e correta destinação deste material para reciclagem; a conquista do Selo Vegano em linha de produtos, certificação concedida pela Sociedade Vegetariana Brasileira; o reuso da água utilizada no processo de produção de cerveja; o incentivo aos clientes comprarem chopes em growlers de vidros, garrafões cervejeiros reutilizáveis; a substituição de copos de plástico pelo uso exclusivo de ecocopos reutilizáveis em eventos; a doação do bagaço do malte utilizado na fabricação das cervejas para a produção de ração animal.

Ir além da cerveja e além da cervejaria

Um dos passos recentes da cervejaria foi diversificar os produtos que levam a libélula como marca. Em 2020, lança o DDV&OS (Dádiva and Other Stuff), destinado à produção artesanal de bebidas que não se enquadram como cervejas. Já de cara, a linha de sidras especiais One Step at a Time.

Além de produzir para os conhecidos ciganos, em um processo de terceirização, a empresa cresceu tanto nos últimos anos que abriu uma nova frente e fundou a Distribuidora Dádiva, distribuindo nacionalmente bebidas artesanais.

Hoje, em seu portfólio tem, além de produtos de marca própria e de cervejarias parceiras, vinho, vodka, hidromel, entre outros produtos.

Victor, o alquimista da Dádiva Crédito: Divulgação

Com a palavra, a Dádiva…

Se para o mercado esses motivos explicam o sucesso da cervejaria, para a dupla fundadora outros ingredientes entram na mistura do malte, lúpulo, água, levedura — e os adjuntos que a criatividade permitir:

"A gente leva ao cliente aquilo que somos de verdade. Somos uma marca carismática. Estamos mais preocupados em incluir do que em excluir", crava Luiza.

Já para Victor, o segredo é se permitir e ir além: "a gente se propõe sempre a sair da zona de conforto, trazendo referências e explorando técnicas, insumos e misturas não convencionais".

Para mais informações sobre as cervejas e como conhecê-las, acesse https://cervejariadadiva.com.br/

Boas notícias para matar a sede

Em maio de 2020, quando ainda pensávamos que a luz no fim da pandemia estava "logo ali", o Siga o Copo participou de uma degustação com Luiza e Victor e era inegável que todo mundo, de todos os lados das telinhas, estava abatido e apreensivo.

Poder contar para você, leitor, sobre o sucesso — ainda que sob-coronga — de cervejarias queridas, como Dádiva, assim como já rolou com UX Brew e Dogma, é um bálsamo e uma tremenda esperança no futuro.

Não aglomerem, usem máscara, cuidem dos seus, #vacinasim e, mais do que nunca, SAÚDE.

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Sobre a autora

Juliana Simon é jornalista do UOL, sommelière de cervejas, mestre em estilos e especialista em harmonização pelo Instituto da Cerveja Brasil.

Sobre o blog

O Siga o Copo é espaço para dicas, novidades e reportagens para quem já adora ou quer saber mais sobre o universo cervejeiro e de mais bebidas.