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Como passei 9 dias com 9 cervejas diferentes – e todas zero álcool

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Juliana Simon

31/01/2021 04h00

Passou janeiro e com ele o tal "dry january" tão celebrado em Europa e EUA. A ideia de passar um mês "na seca" não me parecia algo possível ou desejável – uma vez que trabalho com álcool -, mas queria chegar um pouco perto da experiência zero.

Apesar de já ter abordado o tema aqui, não me parecia tão fácil encontrar uma variedade legal de cervejas zero álcool para testar em diferentes momentos. Errei feio, errei rude. E me surpreendi em todos os sentidos, como conto a seguir.

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A ideia inicial era provar a maior variedade de cervejas possível e com a mente aberta – não vou negar, não tava super empolgada em passar meu tempinho pandêmico sem um calorzinho alcoólico.

Outro limitante era bolso: como o teste era patrocinado pelo meu cartão de crédito, não queria gastar horrores, nem ficar batendo perna virtual para comprar uma cerveja aqui e outra lá. Não deu outra: camelei pelos principais sites cervejeiros e muitos deles com várias zero… indisponíveis. Ponto para o Clube do Malte, que não só tem a maior variedade disponível, como oferece até um pacotinho 0%.

No fim, foram seis cervejas na conta e três de recebidinhos-amigos – todas reveladas ao longo do texto. E engana-se quem acha que cerveja zero é tudo igual: a grande surpresa foi a reprodução – ou a tentativa – de vários estilos.

DIA 1 – Leuven Kingdom Fruit Beer

Não fazia ideia de como poderia começar a brincadeira, mas arrisquei numa harmonização que, em tese, pedia o bendito álcool: cerveja com arancini (aquele bolinho de arroz com muito queijo). Aqui o papel da bebida seria limpar o palato e tudo mais o que sommelier ama repetir.

À base do limão-sensação Yuzu, a cerveja é beeeeeeem leve, mas extremamente saborosa e cítrica. Fez o petisco ficar ainda mais gostoso e derrubou o primeiro mito da semana: cerveja com fruta e sem álcool não tem gosto, nem cheio, nem peso de suco – e desponta como uma Fruit Beer mais bacana que muita alcoólica por aí.

DIA 2 – Wäls Session Free

A experiência era "uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor" e leitura cervejeira (no caso "De Carona Até o Próximo Bar", do Edson Carvalho aka Viajante Cervejeiro.

Diante de tempos tão beberrões (pandemia, afinal) pegar leve é uma ótima, mas cervejeiro sem lúpulo é coisa triste…então uma Session IPA sem álcool me parece uma bela ideia para um detox mais prazeroso.

DIA 3 – Erdinger Alkoholfrei

A primeira das alemãs da lista e a que menos empolgou alma, coração e copo. Achei uma graça tremenda o rótulo anunciar um líquido isotônico com vitamina B9 e B12, acho interessante a defesa da cerveja como uma bebida com benefícios para a saúde, mas o resultado é tão sem graça em aroma e sabor que o fato de ser uma Weisse nem me empolgou…

Harmonização foi com churrasco vegetariano – abobrinha e berinjela tinham bem mais gosto que a cerveja. Meh.

DIA 4 – Ol Beer Hop Lager

Uma das belezas do home office é poder trabalhar de pijama, sem calça, com o cachorro no colo ou até dando uns golinhos em boas cervejas sem grandes julgamentos ou atentados ao pudor. Mas quão melhor é tomar cerveja sem nem se preocupar com como ela pode interferir no seu desempenho?

Em dias de muito trabalho e muito calor, nada melhor que um refresco leve e fácil de descer. Isso é a Hop Lager da cervejaria paranaense – que eu não conhecia e só posso aplaudir pela receita tão perfeita que me fez esquecer que tava "à zero".

DIA 5 – Estrella Galicia 0.0

Eis uma boa surpresa. Apresentei a cerveja com o maior dos meus bicos cervejeiros "ai-como-sou-mais-artesanal-que-mainstream". Tomei na cara – e no gargalo.

A experiência era meramente matar a sede com cerveja no lugar de água (hehe) e não foi que a mini garrafinha estava tão gostosa que eu queria mais? A cervejaria espanhola não é lá muito a minha favorita, mas não tem como negar que uma American Standard Lager (QUE NÃO É PILSEN, PELO AMOR DOS ANJINHOS) tem muito valor.

DIA 6 – Dádiva Sem Álcool

Sou "dadivete"? Sim, desde sempre. E já tinha provado essa belezinha em uma das maiores orgias gastronômicas e vegetarianas de 2019. Esta Golden Ale – mais um estilo para provar que existe vida nas zero álcool – foi meu "chá das 17h" num dia de trabalho.

Aliás, empresas que leem este blog, já podemos ter um canto das cervejas ao lado daquele do café? Parece que sim.

DIA 7 – Heineken 0.0

Talvez a mais celebrada no momento, a versão zero da tradicional American Premium Lager (que também não é Pilsen) está em todo lugar, na TV, na internet, mas não entrou no top 5 do meu teste.

Não tanto pela cerveja em si, que é bem parecida com a original, mas pela ideia de que é uma bebida para todo momento. A experiência aqui foi tomar depois de fazer exercício, como fala a propaganda.

E não foi a coisa mais gostosa do mundo, posso garantir. Se for para matar a sede que dá uma caminhadinha de verão, mil vezes algo de sabor mais suave.

DIA 8 – Paulaner 0,0%

Teste rápido: qual é a cara da cerveja sem álcool? Na minha cabeça, antes de começar isso tudo, era uma cerveja de cor amarela palha, sem espuma, sem graça, sem vida.

Ao contrário da colega do dia 3, esta Weisse alemã faz muita vista e dá sede só de olhar – como prova a foto a seguir.

 

Não tem aroma intenso de banana e cravo, como as tradicionais, nem chega aos pés daquela maravilha, mas refresca até a alma.

DIA 9 – Schneider Weisse Alkoholfrei

Não muito diferente da cerveja do dia anterior (bonita, refrescante, mas nada perto da versão alcoólica), mas por ser a última, teve um gostinho especial e até ganhou uma harmonização caprichada com queijos (uma das favoritas da casa e sobre a qual já falamos aqui).

Valeu a pena?

Como disse lá no começo, a ideia toda veio como um mini "dry january" e era mesmo somente para testar se detox de álcool é algo mesmo possível entre cervejeiros. Sem nenhuma pretensão ideológica ou educativa.

Ainda que muito se fale sobre responsabilidade – diante de tantos problemas e tragédias consequentes do uso indevido e exagerado da bebida – não vejo como a oferta de cervejas zero pode resolver a questão. A conversa aqui é equilíbrio.

Já restrição, como é o caso do que bebi nesses nove dias, é para quem realmente NÃO PODE com álcool (gestantes, alcoólatras, intolerantes) e ainda sim quer participar do momento social, ou sente falta de algo parecido com a bebida.

Resumo da ópera: não, não é a mesma coisa. Sim, é possível instigar paladar e desafiar preconceitos com o que encontramos hoje nos grandes centros.

Volto feliz para as alcoólicas, mas sabendo que terei opções ainda que um dia precise adotar a restrição de álcool na vida.

Ponto para quem vê a cerveja como um meio de diversão e prazer – não para os que usam como arma, pretexto ou veneno.

Para informações sobre preços e onde encontrar as cervejas citadas neste post, procure as cervejarias ou importadoras:

Leuven https://www.cervejaleuven.com.br/

Wäls – https://www.wals.com.br/

Erdinger – que chega ao Brasil pela Bier & Wein – http://www.bierwein.com.br/erdinger

Ol Beer – https://olbeer.com.br/

Estrella Galicia – https://estrellagalicia.com.br/

Dádiva – https://cervejariadadiva.com.br/

Heineken – https://www.heinekenbrasil.com.br/

Paulaner – que chega ao Brasil pela Casa Flora – https://casaflora.com.br/produto/cerveja-paulaner-hefe-weissbier-alkoholfrei-sem-alcool

Schneider Weisse – https://www.schneider-weisse.com.br/

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Sobre a autora

Juliana Simon é jornalista do UOL, sommelière de cervejas, mestre em estilos e especialista em harmonização pelo Instituto da Cerveja Brasil.

Sobre o blog

O Siga o Copo é espaço para dicas, novidades e reportagens para quem já adora ou quer saber mais sobre o universo cervejeiro e de mais bebidas.