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Gigante abre 1ª cervejaria do Brasil para quem batalha para viver da bebida

Juliana Simon

2018-04-20T19:08:32

18/04/2019 08h32

Para fazer cerveja profissionalmente, não basta boa vontade, uma receita sensacional e aquele mestre-cervejeiro cheio de talento. Uma fábrica é essencial.

Em um inédito projeto, revelado em primeira mão aqui no Siga o Copo, a Cervejaria Ambev vai abrir as portas da Bohemia – a cervejaria mais antiga do Brasil, fundada em 1853 – para a produção de cervejeiros "ciganos" – que dão vida às suas criações em fábricas de outras cervejarias.

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E a novidade já está a todo vapor. A partir do fim de abril, a carioca Motim Brew já terá acesso a toda a tecnologia de produção, maquinário, controle de qualidade, insumos, além da consultoria completa do time de cervejeiros da Ambev.

A primeira cerveja a ser produzida dessa parceria será a Hoppy Lager Hell de Janeiro, uma cerveja leve, com uma coloração amarelada e uma grande variedade de lúpulo. Entre produção de até 6 mil litros da bebida e rótulo, o trabalho deve durar cerca de um mês.

Atenção, ciganos!

Marcelo Tucci, diretor de cervejarias artesanais da gigante cervejeira, destaca que não é um projeto pontual. "Outras cervejarias que demonstrarem interesse e nos procurarem serão recebidas e, a partir daí, analisamos o cenário e avaliamos qual melhor caminho para cada uma", diz.

Da panela ao balcão, prateleira e mesa…

Marcelo conta que, para a Motim, além do espaço e suporte na compra e acesso aos mais variados insumos a preço de custo e controle de qualidade, o rótulo será vendido em bares do Urso, da Colorado, além do suporte da Cervejaria Ambev para a participação de eventos relevantes.

"A ideia é oferecer para as cervejarias um ecossistema de benefícios, desde a receita até a torneira de chope, compartilhando conhecimento cervejeiro da forma mais ampla possível. Além da produção, queremos colaborar também na compra de embalagens, distribuição e, até mesmo, direcionar a participação em eventos importantes do mercado cervejeiro no Brasil e no mundo", declara.

Quem ganha com isso?

As ciganas, obviamente, podem comemorar a novidade e cravar suas receitas para além do nicho. Palavra de cervejeiro:

"O projeto promete ser muito importante para o futuro da cerveja no Brasil e acredito que marcará uma nova fase deste mercado", diz Salo Maldonado, fundador da cigana.

Com portfólio artesanal com nomes de peso, como Goose Island, Colorado e Wäls, a Ambev, por sua vez, demonstra que está de olho nas criações craft. É inquestionável que a gigante da cerveja percebeu que há um público crescente para além das American Lager, que sentia falta de ter bebidas mais criativas e ACESSÍVEIS (EM LETRAS GARRAFAIS MESMO). 

"Nosso foco é ajudar a fortalecer a categoria, permitindo que mais cervejarias consigam produzir cervejas de qualidade e com preço competitivo", diz Marcelo.

O ponto maior, porém, é para o consumidor, que terá mais rótulos, estilos, aromas e sabores diferentes disponíveis no mercado e poderá dar uma bela variada na cervejinha nossa de cada dia.

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Sobre a autora

Juliana Simon é jornalista da Universa, sommelière de cervejas, mestre em estilos e especialista em harmonização pelo Instituto da Cerveja Brasil.

Sobre o blog

Representando quase metade do mercado consumidor da cerveja, as mulheres estão conquistando espaços inéditos neste mundo. Seja como mestres cervejeiras, sommelières, “confrades” ou apaixonadas pela bebida mais popular do Brasil e do mundo. É o espaço para dicas, novidades, provocações e reportagens descontraídas para quem já adora ou quer saber mais sobre este universo.