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Centenário, Negroni é clássico, pop e drinque para todos os gostos

Juliana Simon

26/06/2019 12h23

Vermute, gin e Campari em perfeito equilíbrio. Para os bons bebedores, essa fórmula é traduzida como o clássico Negroni.

No ano em que essa combinação chega aos 100 anos de vida, o Siga o Copo celebra a história, curiosidades, o maior expert sobre o assunto e ainda joga aí para você, leitor, a oportunidade de conhecer novas combinações – e quem sabe tentar em casa.

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Passado nobre

Florença, 1919. A pedido do Conde Camilo Negroni (ARRÁ), o bartender Forsco Scarselli deu uma poderosa calibrada no drinque Americano. No lugar de soda, gin. Ao invés de limão, uma rodela de laranja. Nasceu o Negroni.

Viajado e influente, o conde espalhou a novidade rapidamente e o drinque se espalhou pela "Bota". Em 100 anos, ele ganhou o mundo como um coquetel italiano marcante e cheio de paixão. MA CHE!

Pop e arte

É o segundo drinque mais popular do mundo… perdendo somente para o Old Fashioned.

O drinque tem um pé no mundo das artes. Na época, a Itália vivia o clima do Futurismo, movimento criado pelo poeta italiano F.T. Marinetti, que defendia a invenção, a velocidade, a produção e a indústria. Tendo uma marca como ingrediente oficial (Campari), nada mais apropriado.

James Bond adora… como visto no filme Somente Para Seus Olhos (1981);

Anthony Bourdain era apaixonado… e considerava o Negroni o "drinque perfeito";

Ernest Hemingway era tão doido por Negroni que batizou um de seus nove cães com o nome da combinação. Além disso, o coquetel é citado em uma de suas obras: Na Outra Margem, entre as Árvores (1950).

O "homem do Negroni"

Em rápida passagem ao Brasil, o bartender chefe do Café Gilli e maior entendedor do drinque no mundo, Luca Picchi contou que só tomou seu primeiro Negroni "de verdade" depois dos 20 e poucos anos e, desde então, viu a combinação se espalhar pelo mundo e virar uma superestrela da coquetelaria da Europa, às Américas e até mesmo na Ásia.

Está atrás do Negroni perfeito? O gelo é a real obsessão de Luca ao comentar o que considera um drinque de qualidade.

"Negroni precisa da diluição perfeita, feito com um gelo puro. Se tiver como, copo e acessórios para fazer o drinque devem estar gelados. Sem isso a diluição é excessiva e o drinque fica sem gosto", dá a dica. Além disso, os ingredientes devem ser estudados desde a gradação alcoólica às quantidades de cada um dos itens. Para cada detalhe, uma variação surge e o truque é buscar o equilíbrio sempre. Ciência – e um pouco de mindfullness -, amigos.

Um apaixonado pela história do drinque, Luca se diverte com as várias regiões que reclamam pela maternidade do Negroni e conta que, para ele, resgatar a aura da época da criação do drinque é essencial.

"É interessante evocar à época com copos vintage. É como criar uma pequena máquina do tempo. O drinque fica melhor", recomenda.

Sobre as variações, Luca defende a estrutura clássica do Negroni. "A receita original é perfeita. Não invente com mais de duas mudanças aqui e ali", diz.

Como fazer o Negroni clássico

30 ml Campari

30 ml vermuth

30 ml Gin

Misturar e servir em um copo geladinho, como já disse Luca.

Mais ideias para brincar

Em plena Negroni Week, que acontece entre os dias 24 e 30 de junho em mais de 150 bares e restaurantes de todo o Brasil e em mais outros vários locais pelo mundo, você pode fazer seu "Negroni Crawl" nos locais indicados pelo site.

Se não tiver a oportunidade de provar um ou todos no evento especial, o Siga o Copo entrega algumas receitas de destaque do drinque:

Caulí (bartender: Sylas Rocha)

Ingredientes:
1 parte de Campari

1 parte de Cinzano 1757

1 parte de Appleton Estate infusionado com avelãs, macadâmia e nib de cacau

Modo de preparo:
Mexer, servir em copo com gelo + zest de laranja

Candeeiro (bartender: Laercio Zulu)

Ingredientes:

30 ml de Campari

20 ml de Cinzano 1757

10 ml de Fernet Branca

30 ml de Gin

A mistura vai em barril de bálsamo com capacidade de 2 litros. Repouso por 2 semanas. Servido em copo médio com gelo, perfume de cacau com coco seco para finalizar.

E não é só isso…

Esse blog nasceu sob o signo de Ninkasi e até mesmo o coração cervejeiro ganhou um toque de Negroni pelas mãos da Avós, que ao lado da Difford's Guide Brasil e apoio da Campari, elaborou uma Baltic Porter maturada em barril de carvalho americano, onde descansou um típico Negroni.

A partir de terça, dia 25 de junho, o lançamento estará plugado na Casa Avós e lá também pode ser comprada a versão engarrafada – que vem em um kit limitado a 100 unidades com caixa de madeira e um copo especial – a R$ 135.

A mineira Wäls também mostra que a aposta na combinação e, numa produção conjunta com Dante NYC, criou o Chopp Sbagliato, que leva Wäls Dubbel misturada com Negroni.

Oito casas receberão essa criação exclusiva durante a Negroni Week: Astor SP, Astor JK, SubAstor, Bar do Cofre, Bráz Trattoria, ICI Brasserie (Bela Cintra) e Câmara Fria, em São Paulo; e Astor RJ, no Rio de Janeiro.

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Sobre a autora

Juliana Simon é jornalista do UOL, sommelière de cervejas, mestre em estilos e especialista em harmonização pelo Instituto da Cerveja Brasil.

Sobre o blog

O Siga o Copo é espaço para dicas, novidades e reportagens para quem já adora ou quer saber mais sobre o universo cervejeiro e de mais bebidas.