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Astro da cerveja relembra suas favoritas, desastre em 1ª garrafa e dá dicas

Juliana Simon

22/04/2019 09h19

Randy Mosher (Crédito: Divulgação)

Não é todo dia que a gente conta com um dos principais nomes da cena cervejeira entre nós. O americano Randy Mosher, autor de "Bíblias cervejeiras" como "Radical Brewing" (2004), chega ao Brasil no começo fim de maio para uma série de palestras, além de estrelar o corpo de jurados do Mondial de La Biére e participar da 15ª edição da Brasil Brau, em São Paulo.

Antes de babar pela experiência e conhecimento do homem – que professor no Siebel Institute, e ativo em organizações como a Chicago Beer Society e American Homebrewers Association – ao vivo e a cores, o Siga o Copo bateu um papo divertido com ele por email.

Spoiler: contém lições para todas as idades e níveis de paixão cervejeira.

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Qual o seu estilo de cerveja favorito?

"Pergunta injusta e muito difícil de responder, porque minha cerveja favorita nunca é a mesma. Em geral, no entanto, amo as cervejas mais cremosas, feitas com trigo, sejam as clássicas como Hefeweizen ou Witbier às "loucas" Juicy IPAs que estão na moda agora".

E sua harmonização preferida?

"Há tantas! Mas vou te falar a que me fez começar a pensar na combinação entre comida e cerveja: tiras de salmão defumado do Alasca (um iguaria dos nativos Americanos) e a famosa Smoked Porter da Alaskan Brewing. Foi uma combinação tão perfeita: com o defumado fazendo uma ponte e os maltes tostados e a efervescência da cerveja passando gentilmente pela gordura".

Você se lembra da sua primeira experiência em degustação de cerveja?

"Não lembro, pois foram uma série de experiências ao longo do tempo que despertaram meu interesse. Na época de faculdade, em Cincinnati havia quatro antigas cervejarias locais. Então eu e meus amigos achávamos muito legal comprar barris delas para as festas. Não era tão maravilhoso quanto pensávamos, mas a experiência nos fez pensar. Mais tarde, um destes amigos e eu começamos uma cervejaria juntos".

E a primeira vez que você fez cerveja?

"Você não iria querer provar a minha primeira receita, acredite.

Era uma Pale Ale, mas feita com extrato de malte enlatado meio velho e um pacote de levedura meio grudento. Você pode imaginar o quanto essa cerveja ficou horrível. As duas seguintes não ficaram lá muito melhores, então resolvemos pegar uma levedura decente e lá pelo oitavo lote estávamos fazendo cerveja depois de pesquisar em livros técnicos. Não sei porque insistimos, mas realmente queríamos fazer uma boa cerveja. Depois começamos a brassar estilos belgas, como Dubbel e saison, que não encontrávamos nos EUA naquela época – eram os anos 80 e não havia muita informação ou boas cervejas e nada de cerveja artesanal na maioria dos lugares".

PARA BEBEDORES

Por onde começar?

Para quem quer conhecer o universo da cerveja artesanal, Randy indica estilos que não fogem totalmente à popular American Lager, mas que oferece muito mais sabor, como as pilsners, Kölsch e outros clássicos claros.

Já se a ideia é entrar de cabeça nesse universo, o cervejeiro propõe um "choque de amargor", com as Pale Ale e IPAs em todas as suas variações. "Cerveja artesanal não é sempre sobre lúpulo, mas para muitos bebedores, esse é um dos atributos que mais chama atenção. Se amargor chocar no começo, não desista. Para a maioria, leva um tempo para acostumar – sem contar as que são predispostas a serem mais sensíveis ao sabor", lembra.

"Não gosto de cerveja"

Não, você não vai ficar de fora dessa conversa, caro não-bebedor. "É o que eu sempre digo: você apenas não encontrou sua cerveja ainda. Há as mais leves, as escuras, as doces, as ácidas, as refrescantes, as luxuosas e muitas mais", declara Randy.

PARA CASEIROS E SOMMELIERS

Atenção, cervejeiros caseiros

"Aproveite o processo. Cerveja pode ser muito simples ou super complicada. Não tente entender tudo de uma vez. Comece com o básico para encontrar a técnica que funciona para você. Depois, tente processos mais complicados, equipamento mais chique e receitas mais desafiadoras – mas tudo depende do básico", diz.

Degustar é preciso – para quem produz…

"As pessoas não entendem sempre que a habilidade de fazer cerveja é totalmente limitada por sua habilidade em degustar. Se tiver oportunidade, entre em competições e também julgue cervejas. É um jeito muito bom de conseguir feedback sobre sua produção e aprimorar a degustação".

…para quem analisa

Aos novos sommeliers, Randy dá ainda mais dicas para deixar os sentidos aguçados. "Aconselho a fazer um esforço para prestar atenção do mundo dos sabores e aromas que estão sempre ao seu redor", indica.

Antes de falar, estude

Vocabulário e conhecimento de estilos é só o básico para um bom entendedor de cerveja, conta Randy.

"Se tiver a chance, ajude alguém a produzir cerveja ou faça a sua própria. Prove os maltes, cheire os lúpulos, veja como o processo acontece. Tente aprender alguns termos profissionais, mas, ao mesmo tempo, precisa internalizar as descrições de sabor e os caminhos para reconhecê-los em diferentes contextos", diz.

Para entrar no mundo dos estilos, o cervejeiro indica estudo sobre a história das tradições britânica, belga, alemã e todas as outras, "pois essas são as raízes até para os estilos mais modernos", viagens a esses locais quando o bolso permitir e… Michael Jackson! (Não o cantor, mas seu famoso homônimo cervejeiro, autor de livros essenciais na prateleira de sommeliers e mestres-cervejeiros. Ainda falaremos sobre ele por aqui, caro leitor).

Não trabalha na área?

Não é problema, segundo Randy. O negócio é botar a mão na massa em eventos para amigos, se voluntariar em feiras da bebida e botar em prática tudo o que você viu nos livros.

Como o mercado brasileiro pode contribuir mais para a cultura cervejeira?

Cerveja é um reflexo da cultura, que se mistura a ambiente e história. Encontrem sua personalidade e façam cervejas que reflitam sua cultura, sirvam às suas necessidades, contem suas histórias e satisfaçam o público.

Cerveja, como um negócio, é difícil e muito desafiadora, mas se você faz produtos que as pessoas amam, elas vão te apoiar e permitir com que sua cervejaria sobreviva – ou até prospere.

Onde achar o Randy no Brasil

Em São Paulo

Brasil Brau – XV Feira Internacional de Tecnologia em Cerveja
Data: 28 a 30 de maio de 2019. Mais informações no site

Palestra Professional Beer Tasting and Styles
Data: 01 e 02/06 – 9h às 16h30. Mais informações no site

No Rio de Janeiro

Palestra Beer and Food Experience
Data: 03 e 04/06 – 19h às 22h. Mais informações no site

Em Porto Alegre

Palestra Product Development
Data: 05/06 – 13h às 19h. Mais informações no site

Radical Brewing
Data: 05/06 – 20h às 22h. Mais informações no site

 

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Sobre a autora

Juliana Simon é jornalista do UOL, sommelière de cervejas, mestre em estilos e especialista em harmonização pelo Instituto da Cerveja Brasil.

Sobre o blog

O Siga o Copo é espaço para dicas, novidades e reportagens para quem já adora ou quer saber mais sobre o universo cervejeiro e de mais bebidas.