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Cerveja sem complicação: estilos básicos estão na moda de novo

Juliana Simon

15/03/2020 04h00

(Crédito: Unsplash)

Diante de uma cena cervejeira ainda lutando para encontrar e consolidar marcas e personalidades, as receitas mais loucas do artesanal causam impacto, geram likes, reúnem fãs e criam monstros sagrados em um segundo.

Mas qual valor ainda tem aquela cerveja básica e bem feitinha no meio dessas produções que chamam atenção pelo "quanto mais doidão, melhor"?

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Para boa parte dos consumidores, os não-sommeliers, as cervejas confiáveis, garantidas e sempre queridas são mesmo as de receitas mais tradicionais, com ingredientes e sabores conhecidos, e, sim, preços muito mais acessíveis.

As cervejas menos aventureiras, porém, agora também ganham espaço no público mais especializado, conhecido por estar sempre atrás da próxima novidade, e também estão no caderninho das cabeças mais ousadas das panelas artesanais.

De volta aos básicos

Victor Marinho, mestre-cervejeiro da celebrada Dádiva, por exemplo, não deixou o mundo das potentes RIS, nem largou mão da alma hophead das Imperial IPAs, mas comemorou recentemente o 100º lote de sua primeira produção na fábrica, há seis anos: uma levíssima e correta Premium Lager (que não é pilsen…como já dissemos aqui).

É legal ver que o mercado nacional está crescendo e trazendo uma variedade tão grande de cervejas, de diversos estilos, cores, aromas, etc. Mas, a gente não pode esquecer da qualidade das cervejas tradicionais.

Desde 2014, a Premium Lager já foi feita com 100% de malte Pilsen, com alto drinkability, "mas queríamos mais potência". Depois veio o malte Munique, o que deixou a cerveja com mais sabor e intensidade. Recentemente, chegou à receita o malte Viena. Resultado: mais seca, amargor presente e muita história para contar para leigos e entendidos.

Quem ganha? (Todo) consumidor

"Atualmente, temos recebido um público considerável que ainda busca as Lagers, como Pilsen e Helles", conta Francisco Neto, fundador do bar Democraft, que divide suas torneiras com estes estilos e mais uma infinidade de variações queridinhas do mundo artesanal, como as IPAs, Sours e outras Ales marcadas por sabores complexos e/ou intensos.

Ainda que concursos, mídia cervejeira e a maioria do mercado consumidor artesanal ainda celebrem as produções extremas e deem aquela torcidinha para os estilos "de entrada", quem berra pela cultura cervejeira sabe o valor que tem uma "basiquinha".

"Ao disponibilizarmos Lagers leves de qualidade no mercado, e tornar a experiência do consumidor positiva, ele vai se abrir aos poucos para outros estilos produzidos pelas cervejarias artesanais", diz Victor.

Francisco concorda e acrescenta: "As cervejas básicas e bem feitas têm um papel altamente estratégico, por dois motivos: podem atrair, por suas características sensoriais, um novo público, acostumado a beber cervejas comerciais, e ainda possibilitam um consumo constante, por terem preços mais acessíveis", aponta Francisco.

Diante disso, vale mais botar na mesa aquela cerveja tranquila e certeira, seja para entrar com segurança no universo artesanal, ou para relembrar como não precisa de um escândalo no copo para degustar com prazer.

Com todo respeito às extremas, mas uma cervejinha simples é fundamental.

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Sobre a autora

Juliana Simon é jornalista do UOL, sommelière de cervejas, mestre em estilos e especialista em harmonização pelo Instituto da Cerveja Brasil.

Sobre o blog

O Siga o Copo é espaço para dicas, novidades e reportagens para quem já adora ou quer saber mais sobre o universo cervejeiro e de mais bebidas.