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Sem mito, com sabor: o que é Catharina Sour, 1º estilo de cerveja do Brasil

Juliana Simon

26/11/2018 09h49

Polêmica é legal, um debatezinho é gostoso e com cerveja não é diferente.

Esse foi o caso da Catharina Sour, que mesmo antes de ser anunciada como "estilo brasileiro" pelo BJCP lá em julho, já deixava muita gente de cabelo em pé.

Se você nunca viu, nem bebeu e só ouve falar, ou se provou e nem sabe porque tanto barulho, o Siga o Copo ajuda!

Antes de tudo, o que diabos é o BJCP?

O Beer Judge Certification Program (BJCP) é uma organização que julga e certifica estilos de cerveja de todo o mundo. São mais de 7 mil juízes de 40 países. É o maior guia de estilos do mundo cervejeiro e principal norte na produção e análise sensorial das bebidas.

O que é o estilo Catharina Sour?

É uma cerveja de trigo de alta fermentação com acidez lática com acréscimo de frutas. Amargor mínimo, corpo leve, álcool baixo e ótima carbonatação. As frutas usadas são variadas: uva, pitaya, seriguela, morango…

Em que ele é diferente da Berliner Weisse?

O estilo alemão não leva frutas em sua receita – a gente falou dele lá em janeiro do ano passado, lembra?. Além disso, espera-se de uma Catharina Sour um teor alcoólico um pouco mais alto que o de uma Berliner. Enquanto o estilo brasileiro vai de 4% a 5,5% ABV, o alemão não deve passar dos 3,8%, segundo as diretrizes de 2015 do BJCP.

Por que Catharina Sour?

Porque cervejeiros de Santa Catarina se uniram para pensar um estilo só nosso. Ponto para a Associação das Micro Cervejarias Artesanais de Santa Catarina (Acasc) ;). O estilo ganhou corpo em cervejarias maiores, como a Lohn, e se espalhou pelo Brasil, com produção em SP, Rio, Rio Grande do Sul…

Como chegou ao BJCP?

Não é de hoje que o Brasil quer um estilo próprio e juízes do BJCP com certeza notaram não só a quantidade de cervejas produzidas neste estilo desde 2015 como a necessidade de delimitá-lo no universo das sours – não é Berliner Weisse, é menos ácido que uma lambic, por exemplo, e não é wild, uma vez que não tem as famosas brettanomyces.

OBA! A GENTE É MUITO CERVEJEIRO MARAVILHOSO?

Calma. Brasileiros estão fazendo liiiiindas Catharinas, mas esta menção do BJCP ainda é provisória.

Tá todo mundo feliz?

Não. Tem cervejeiro que acha que não é primeiro estilo brasileiro coisa nenhuma. Que poderia ser uma sour ou uma fruit. Mas para isso a gente procura alguém que optou por produzir e chamar sua cerveja de Catharina Sour, Lucas Fonseca, da Verso:

"Além de concordar com os aspectos técnicos da descrição do estilo, a Verso optou por abraçar o novo nome também como homenagem e comemoração pelo reconhecimento do primeiro estilo de cervejas brasileiro. Acredito que a utilização do nome facilitará a compreensão do consumidor com relação ao produto que ele está adquirindo: uma cerveja leve, ácida, refrescante e com perfil evidente da fruta utilizada", diz.

Sobre as sugestões de nomenclatura por quem é contra o 'Catharina Sour', Lucas dá suas impressões: "Fruit Beer não necessariamente apresenta acidez e pode até mesmo apresentar certo dulçor em alguns exemplares, já que o estilo abrange qualquer outro estilo base em que tenha sido adicionada fruta. Já as cervejas do estilo Sour Beer (e suas diversas vertentes), são mais complexas e intensas e a adição de frutas não é mandatória".

E por que você Siga o Copo foi falar disso só agora?

Hmmm… modismo é coisa perigosa e analisar o cenário e provar as cervejas é preciso (e ótimo, claro). Entre incorporar uma categoria nova e cada vez mais forte e forçar a barra ao insistir em chamar de Berliner Weisse o que não é o estilo ou perder a chance de cravar uma novidade no mercado, este blog fica com a primeira opção. A Catharina Sour tem de tudo para conquistar cada vez mais gente.

Quero provar! Onde tem?

Catharina Sour Tangerina, da Verso

Cerveja leve, ácida, altamente refrescante e com amargor imperceptível que apresenta aromas e sabores cítricos bem evidentes da fruta. Preço sugerido: R$ 25 (garrafa de 355 ml). Onde encontrar: Hop Pack e empórios e bares especializados de São Paulo, São Caetano e Jundiaí (SP).

Catharina Sour da Lohn Bier

Guaraná, Jabuticaba, Uva Goethe, Bergamota, Butiá, Manga… a cervejaria catarinense abraçou a causa e tem portfólio consolidado com vários exemplares do estilo. Preço sugerido: R$ 7,26 (garrafa de 330 ml). Onde encontrar: Loja da Lohn

Catharina Sour Sun Of a Peach, da Blumenau

Exemplar do estilo com acréscimo de pêssego. Prata no Australian Int´l Beer Awards 2016. Preço sugerido: R$ 15,90 (garrafa de 500 ml). Onde encontrar: Beer Valley

Quintal, da Antuérpia

A cervejaria mineira também experimentou várias frutas em suas criações e tem em seu portifólio as Catharina Morango e Hibisco, Mexerica e Jabuticaba. Preço sugerido: R$ 19,90 (garrafa de 355 ml). Onde encontrar: Bros Beer

Catharina Sour Cupuaçu, da Schornstein

Cerveja colaborativa entre a Schornstein e a Escola Superior de Cerveja e Malte. É uma cerveja que contém Cupuaçu, uma fruta da região amazônica. Preço sugerido: R$ 24,90 (lata de 473ml). Onde encontrar: Clube do Malte

Catharina Sour Café, da Lohn Bier e Perro Libre

A colaborativa das cervejarias com Companhia de Brassagem Brasil e Revista da Cerveja e vencedora de quatro categorias do Prêmio Brasil Brau de 2017 foi produzida com café Bourbon de Minas Gerais, 80% torrado e 20% verde, levando a refrescância e o torrado lado a lado. Preço sugerido: R$22 (garrafa de 330ml) e R$ 6,40 (chope de 11 ml). Onde encontrar: bar da Perro Libre em Pinheiros/SP

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Sobre a autora

Juliana Simon é jornalista da Universa, sommelière de cervejas, mestre em estilos e especialista em harmonização pelo Instituto da Cerveja Brasil.

Sobre o blog

Representando quase metade do mercado consumidor da cerveja, as mulheres estão conquistando espaços inéditos neste mundo. Seja como mestres cervejeiras, sommelières, “confrades” ou apaixonadas pela bebida mais popular do Brasil e do mundo. É o espaço para dicas, novidades, provocações e reportagens descontraídas para quem já adora ou quer saber mais sobre este universo.