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Lúpulo merece sua atenção - e um textão - parte 1

Juliana Simon

2017-09-20T18:10:02

17/09/2018 10h02

Pessoal, lúpulo. Lúpulo, pessoal (Crédito: Juliana Simon)

Falar sobre lúpulo é um tesão para quem estuda ou trabalha com cerveja, mas o que o consumidor que só quer tomar sua cervejinha em paz tem com isso? Acredite, muita coisa.

Com a popularização de cervejas além das American Lager e uma multidão de "neo-entendidos" do assunto, o "amargor" chegou nas prateleiras e na boca de cada vez mais pessoas. As gigantes da bebida, claro, captaram uma nova necessidade aí: precisamos falar sobre lúpulo.

Falei lúpulo e saí correndo…?

A intenção de levar esse papo para o dia-a-dia e para além do nicho artesanal, como anuncia a Skol ao apostar forte em sua versão puro-malte Hops com campanhas em intervalos nobres de TV e muuuuuuiiiiitttooooo barulho nas redes cervejeiras, de nada vale se o básico do ingrediente não ficar bem claro para todo mundo.

Neste blog, esse papo se divide em duas partes, porque também não adianta falar das maravilhas de uma plantação f***da de lúpulo se a maioria não souber para que a plantinha serve.

Plantação de lúpulo, variedades e as florzinhas

Vamos ao be-a-bá?

O que é o lúpulo?

É uma planta trepadeira que atinge de 5 a 8 metros de altura. Para a cerveja, utilizam-se as flores femininas dessa planta.

Na cerveja, o lúpulo serve para…?

Ele é o principal ingrediente para amargor e aroma da cerveja, mas também é um conservante essencial da bebida e ajudante na estabilidade da espuma.

Toda cerveja leva lúpulo?

A não ser receitas muito fora da caixinha ou as gruit*, em maior ou menor quantidade, o lúpulo é ingrediente básico para qualquer cerveja.

*Gruit era a combinação de ervas usadas na produção da bebida antes da "descoberta" e popularização do lúpulo. Essa história começou com a monja-mãe, como já dissemos por aqui.

Todo lúpulo é igual?

Não. Existem os de aroma (ricos em óleos essenciais, que conferem aromas florais, herbais, terrosos, cítricos…) e os de amargor (ricos em alfa-ácidos). Ou seja, o cervejeiro calcula quantidades e adota métodos de brassagem de acordo com o estilo desejado – mais amargo, mais aromático, os dois…

Mais do que isso: a tecnologia tem possibilitado combinações entre variedades de lúpulo, então a gama de aromas, sabores e até a eficácia como conservantes se mostram in-fi-ni-tas.

Não curto cerveja amarga. Não gosto de lúpulo?

Sua cerveja leva lúpulo de qualquer jeito. Se você ama cerveja, algum lúpulo já entrou nessa boquinha.

Pensando em bases mais populares, aquelas American Lager do dia-a-dia levam como base lúpulos aromáticos alemães, como Hallertau e Perle.

A polêmica em cima da Skol Hops também encontra explicação aqui: a cerveja não se vende como amarga, se vende como um tico mais aromática que as irmãs de cervejaria. Para quem já tá ligadão no lúpulo, é um nada. Para quem está curioso, uma chance. Para quem não se importa, mais uma variedade de cerveja (oba).

Uma curiosidade: o lúpulo é coisa tão de Deus que tem utilidade até velho. Nas cervejas selvagens belgas, como lambics, flores de lúpulo de 3 anos são utilizadas para efeitos de conservação. Lindo né?*

Hoje paramos aqui, mas a conversa sobre lúpulo não terminou e a ideia é fazer todo mundo encher o saco das cervejarias para saber mais sobre o que anda tomando, ok? Ok!

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Sobre a autora

Juliana Simon é jornalista da Universa, sommelière de cervejas, mestre em estilos e especialista em harmonização pelo Instituto da Cerveja Brasil.

Sobre o blog

Representando quase metade do mercado consumidor da cerveja, as mulheres estão conquistando espaços inéditos neste mundo. Seja como mestres cervejeiras, sommelières, “confrades” ou apaixonadas pela bebida mais popular do Brasil e do mundo. É o espaço para dicas, novidades, provocações e reportagens descontraídas para quem já adora ou quer saber mais sobre este universo.