Siga o copo


menu
Topo
Siga o Copo

Siga o Copo

Com 14% de álcool, joia cervejeira é lager potente e cheia de história

Juliana Simon

06/12/2018 08h44

Um dos mitos mais resistentes no mundo cervejeiro é que lager é sinônimo de cerveja clara e meio sem graça e não poderia ter melhor ocasião para derrubá-lo que a histórica produção de um exemplar que conta com nada menos que 14% ABV.

Considerada a lager mais forte do mundo, a Eggenberg Samichlaus Classic é produzida uma única vez ao ano, sempre no dia 6 de dezembro, o Dia de São Nicolau – santo padroeiro da Rússia, Grécia e da Noruega, falecido neste dia no ano de 350 e, dizem, o "Papai Noel original".

Veja também

Lager alcoólica?

Sim, senhoras e senhores. Ser lager ou não é só uma questão de fermentação – neste caso, baixa. E nesta família há estilos com teor alcoólico elevado, como Bocks, Doppelbocks – estilo da Samichlaus -, Eisbock e Baltic Porter. Via de regra, as lagers são menos complexas e as ales (de alta fermentação) permitem todo tipo de combinação sensorial.

Envelhecida por 10 meses antes de ser engarrafada, a Samichlaus é uma cerveja que não possui prazo determinado de validade (nota mental: falar para vocês as maravilhas das "cervejas de guarda"). Graças ao processo caprichado e demorado, ela ganha aroma complexo, rico em castanha, uva passa e fumo, provenientes do malte. No paladar, ela é licorosa e doce.

A harmonização funciona melhor com queijos amanteigados – como um camembert – e até os mais potentes – como gorgonzola. Carnes de sabor mais acentuado também casam lindamente – a cerveja vira uma espécie de molho (NHAM). Para os doces, a opção é combinar com chocolates mais amargos – para não ficar uma sobremesa excessivamente doce – ou com frutas vermelhas.

Clássica e cheia de história

Adorada por cervejeiros, a Samichlaus também conta com uma origem interessante. Produzida pela primeira vez em 1979 (para ser vendida no ano seguinte) pela cervejaria suíça Hürlimann ela parou de ser feita em 1997, quando a fábrica fechou.

Em 2000, ela voltou, desta vez nas mãos da austríaca Schloss Eggenberg (fundada em 1681 e que funciona em um cas-te-lo) com a receita original e todos os anos é apresentada na capela de sua nova casa, onde acontece uma missa antes da cerveja ser exportada.

Uma boa notícia…

Sim, ela pode ser encontrada no Brasil, para onde é importada pela Bier & Wein desde 2008.

Preço sugerido: R$ 30 (garrafa de 330 ml). Onde encontrar: Bier & Wein

COMO ESTAMOS BLOGUEIRANDO? Críticas, elogios, sugestões, desabafos? Aceitamos em InstagramFacebook e até no Untappd.

Sobre a autora

Juliana Simon é jornalista da Universa, sommelière de cervejas, mestre em estilos e especialista em harmonização pelo Instituto da Cerveja Brasil.

Sobre o blog

Representando quase metade do mercado consumidor da cerveja, as mulheres estão conquistando espaços inéditos neste mundo. Seja como mestres cervejeiras, sommelières, “confrades” ou apaixonadas pela bebida mais popular do Brasil e do mundo. É o espaço para dicas, novidades, provocações e reportagens descontraídas para quem já adora ou quer saber mais sobre este universo.