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Cervejarias apostam cada vez mais nas latinhas. É o fim da garrafa?

Juliana Simon

23/07/2018 11h25

 

Uma notícia recente deixou alemães – e adoradores da cerveja – de cabelo em pé: está faltando garrafa no mercado de lá. Os mais apressadinhos já pensariam "mas cadê a lata desse primeiro mundão?".

Como explica a própria matéria da Deutsche Welle, enquanto para a garrafa de vidro cobra-se 8 centavos de euro, a venda e produção de cervejas em lata é dificultada por uma lei que obriga o depósito de 25 centavos de euro para vasilhames de metal e plástico. A lei fez a venda de bebidas em lata cair drasticamente, dos 7,5 bilhões em 2002 para 300 mil em 2003, ano em que passou a vigorar.

O verão por lá está daquele jeito e as garrafas estão sendo bastante consumidas, mas pouco devolvidas. (Imagina não ter cerveja na Alemanha, senhoras e senhores?!?! Agonia e desespero).

Mas e nós com isso?

Além da solidariedade com os amigos alemães, a questão de garrafa x lata já é tema corrente entre as cervejarias brasileiras. Entre as mainstream e artesanais, as latinhas já estão cada vez mais presentes nas prateleiras.

Dante Casarotti, fundador e cervejeiro da cervejaria Van Been – que produz a Belgian IPA Peter De Zeeman e Belgian Blond Ale Happy Blonde somente em latas de 473 ml – acredita que a lata hoje é uma novidade no mercado nacional, não será mais em um futuro próximo.

"A única desvantagem da lata em relação a garrafa é o preço, portanto se uma cervejaria optar pelas latas, deve fazer um bom trabalho de pesquisa e negociação frente aos fabricantes de latas, que não são muitos, hoje se tem uns 3 a 4 grandes no estado de SP, onde pode-se negociar diretamente (dependendo de quantidade)", diz.

Elas estão entre nós 👏🍺#cervejaartesanal #vanbeen #craftbeer #holland #blond #ipa

Uma publicação compartilhada por Cerveja Van Been (@cervejavanbeen) em

Faz diferença para o consumidor?

Sim. As latinhas conservam melhor a cerveja do que as garrafas, pois impedem a passagem de luz e ar, grandes inimigos da cerveja. Latas também são mais leves para carregar, não quebram, são 100% recicláveis, gelam mais facilmente e têm mais apelo visual.

Em comparação a embalagens como as de vidro em cores que não a âmbar (azuis, verdes, transparentes), a diferença principalmente nas cervejas mais delicadas é gritante em termos sensoriais.

Mas é todo estilo que vai em lata?

Para cervejas mais intensas, com possibilidade de guarda – ou seja, as com validade extensa e arredondadas ao longo do tempo – não encontram vantagem no armazenamento em metal.

Para cervejas mais delicadas e com propostas de maior refrescância, a latinha é grande aliada, como dito cima, e UMA das opções de armazenamento.

Adeus garrafa?

Não exatamente. Dante lembra que as cervejas em latas estão crescendo rapidamente, mas hoje o número de garrafas é maior na grande parte dos pontos de venda.

"Mas não diria que as garrafas estão ameaçadas, elas só estão em baixa com as cervejarias recém-abertas, ávidas por novidades, e a lata é uma delas", diz.

Existe "embalagem perfeita" para cerveja, gosto de todo mundo, bolso e meio-ambiente?

Não. E não faltam cervejeiros quebrando a cabeça para isso. Ainda bem.

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Sobre a autora

Juliana Simon é jornalista da Universa, sommelière de cervejas, mestre em estilos e especialista em harmonização pelo Instituto da Cerveja Brasil.

Sobre o blog

Representando quase metade do mercado consumidor da cerveja, as mulheres estão conquistando espaços inéditos neste mundo. Seja como mestres cervejeiras, sommelières, “confrades” ou apaixonadas pela bebida mais popular do Brasil e do mundo. É o espaço para dicas, novidades, provocações e reportagens descontraídas para quem já adora ou quer saber mais sobre este universo.