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Cervejas ultra-alcoólicas estão entre nós…. mas vale a pena tanta potência?

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Juliana Simon

04/11/2017 11h05

Quem acompanha as redes sociais cervejeiras já está com as orelhas em pé para o lançamento da cervejaria norte-americana Samuel Adams: uma belezinha com 28% ABV (ou seja, álcool. MUITO ÁLCOOL).

Em sua 10ª edição, a Utopias mistura cervejas envelhecidas e ainda passa um tempinho maturando em barris de Moscatel – o que faz dela um vinho de malte de fazer gosto.

Samuel Adams Utopias, com 28% ABV. Vai encarar?

São somente 13 mil garrafas, vendidas a US$ 199 (cerca de R$ 658) e tão potente que é ilegal em 12 estados norte-americanos: Alabama, Arkansas, Georgia, Idaho, Mississippi, Montana, New Hampshire, North Carolina, South Carolina, Tennessee, Vermont e Washington.

É a cerveja mais alcoólica do mundo? Não. Longe disso.

A campeã é a Snake Venom, da escocesa Brewmaister, que conta com singelos 67,5% ABV. Para efeitos de comparação, a média alcoólica de um uísque, por exemplo, é 47%.

A Snake Venom, da Brewmaister: a cerveja mais alcoólica do mundo

E a lista de cervejas extremas é variada e sempre conta com alguma novidade. A alemã Schorschbräu tem duas versões da Eisbock Schorschbock, uma de 57% ABV e outra, mais levinha, de 42%. Os "punks" da Brewdog têm sua IPA quádrupla Sink the Bismarck, com 41% ABV, e a Russian Imperial Stout de 32% ABV Tactical Nuclear Penguin. Outra é a Black Damnation VI – Messy, da belga De Struise Brouwers, com 39% ABV.

No RateBeer – site que conta com críticos cervejeiros do mundo todo -, só esta última tem uma nota espetacular (99). As BrewDog ficaram com uma média de 70 pontos e as alemãs, pura decepção, com 30 e poucos pontos. A Utopias recém-lançada ainda não tem avaliação, nem a Snake Venom (porque pouca gente deve ter coragem?).

Mas o que isso quer dizer?

Ser a cerveja "mais alcoólica", "mais amarga", "mais carbonatada' e etc… não oferece grandes vantagens em termos de bebida, só em marketing mesmo.

A cerveja gostosa de tomar tem seus elementos (amargor, dulçor, sensação alcoólica…) em equilíbrio. As mais alcoólicas, por exemplo, são salvadoras em dias de frio, mas só devem dar aquele "quentinho gostoso" na goela e no corpo. Nada que desça queimando na garganta.

Provar os exemplares citados acima vale mais pela curiosidade, mas precisam estar extremamente redondas para valerem pelo sabor e sensação. E aí? Vai encarar?

Sobre a autora

Juliana Simon é jornalista do UOL, sommelière de cervejas, mestre em estilos e especialista em harmonização pelo Instituto da Cerveja Brasil.

Sobre o blog

O Siga o Copo é espaço para dicas, novidades e reportagens para quem já adora ou quer saber mais sobre o universo cervejeiro e de mais bebidas.