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Quer viver de cerveja? Ambev e escolas de renome se unem para educar setor

Juliana Simon

15/12/2020 09h19

(Crédito: André Tomino)

Aqui no Siga o Copo já falei de que não basta beber, precisa queimar um tanto de tutano e ralar bastante para trabalhar com cerveja, seja na sommelieria ou na produção da bebida.

Felizmente, pipocam ótimas iniciativas e cursos para quem quer abrir os livros e as latas e viver de cerveja. Uma delas é lançada nesta terça (15) e tem por trás nomes de peso do Brasil e do mundo.

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Sob o nome de Academia da Cerveja, a Ambev se une ao histórico instituto alemão VLB Berlin (que existe desde 1883), e a algumas das mais importantes escolas cervejeiras do país, como a Escola Superior de Cerveja e Malte, Instituto Ceres e Instituto Marketing Cervejeiro, para cursos profissionalizantes de ponta.

Entre os temas propostos estão os de conhecimentos técnico e prático relacionados a processos de produção, segurança de alimentos, sustentabilidade, tecnologia cervejeira e inovação.

Pontapé virtual

Para o lançamento da programação, em janeiro de 2021, o projeto oferecerá webinares gratuitos com especialistas externos, e cursos de iniciação no universo cervejeiro e imersão de processos. Além disso, também contaremos com uma programação aberta ao público voltada a eventos e ações de microcervejarias.

Em parceria com as escolas cervejeiras, a programação será focada no formato presencial, com cursos realizados pelas próprias escolas, utilizando a infraestrutura e espaço do local, porém, em função do momento de distanciamento social, a previsão é de que estes cursos sejam realizados a partir de abril de 2021.

Serão disponibilizados três níveis de cursos, de básico a avançado, com grades e conteúdos direcionados a diferentes públicos. Um dos cursos do nível básico será totalmente gratuito para garantir o acesso e democratização do conhecimento cervejeiro. Os cursos profissionalizantes, para especialistas, variam entre R$ 160 e R$ 1.800.

Como entrar

Para quem busca iniciar sua jornada no mundo cervejeiro, é necessário, apenas, se cadastrar gratuitamente na plataforma para garantir o acesso aos conteúdos, que tem vagas limitadas.

Já para quem está buscando profissionalização em determinada especificidade técnica, é desejável ter o segundo grau completo (para cursos intermediários, com duração de dois dias) e segundo grau completo e experiência prévia com cerveja (para cursos avançados, com duração de 15 dias).

Política de inclusão

Haverá um plano de bolsas de estudos que atenda negros, indígenas, mulheres, pessoas com deficiência, além de pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Todas as turmas dos cursos – sejam eles pagos, presenciais ou online – terão entre 10% e 15% de alunos bolsistas. As porcentagens de descontos variam entre parciais, de 25% a 50%, e integrais, com 100%.

"Entendemos que a profissionalização, educação cervejeira e a democratização de conhecimento são processos essenciais para a solidificação e destaque do mercado brasileiro", explica Laura Aguiar, mestre-cervejeira e Head de Conhecimento e Cultura Cervejeira da Ambev.

Para as fundadoras do Instituto Ceres, Chiara Barros e Patricia Sanches, "a Academia da Cerveja está alinhada à missão do Instituto Ceres de fazer a educação cervejeira alcançar todas as pessoas".

"Um mercado cervejeiro mais preparado é um mercado cervejeiro mais forte", analisa o diretor Carlo Bressiani, da Escola Superior de Cerveja e Malte

Já de acordo com Érica Barbosa, fundadora do Marketing Cervejeiro, "estar na Academia da Cerveja ao lado de outras instituições que admiramos nos aproxima de um público mais diverso".

A programação de conteúdo terá início a partir de janeiro de 2021 e será mensalmente divulgada em conjunto com as escolas cervejeiras parceiras no site da Academia da Cerveja – http://academiadacerveja.com/landing.

Cerveja acordou?

Ainda em outubro, outra parceria – desta vez do grupo Heineken com o Instituto da Cerveja Brasil (ICB) – mostrava novos ares ao criarem um programa de capacitação cervejeira para moradores da periferia sob a batuta de Leandro Sequelle, educador social e fundador da Graja Beer, cervejaria artesanal nascida no Grajaú, periferia da Zona Sul de São Paulo.

Ao todo, mais de 30 turmas serão formadas até 2023, não só em São Paulo, como em cidades como Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR) e Fortaleza (CE).

Esta iniciativa, como o anúncio da Academia da Cerveja, surgem em um momento em que o mercado cervejeiro parece acordar para temas além do copo.

A "revolução de agosto" finalmente parece ganhar frutos concretos e vindos de nomes com poder de mídia e grana para promover a democratização cervejeira além do nicho artesanal.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Juliana Simon é jornalista do UOL, sommelière de cervejas, mestre em estilos e especialista em harmonização pelo Instituto da Cerveja Brasil.

Sobre o blog

O Siga o Copo é espaço para dicas, novidades e reportagens para quem já adora ou quer saber mais sobre o universo cervejeiro e de mais bebidas.